Os últimos dados têm sido positivos para o investimento de impacto no Chile, à medida que o ecossistema local tem atraído cada vez mais capital. De fato, os números da Associação Chilena de Administradoras de Fundos de Investimento (Acafi) mostram que o patrimônio das estratégias de impacto mais do que triplicou nos últimos seis anos.
Especificamente, o valor passou de 138,2 milhões de dólares investidos em projetos que resolvem desafios sociais e/ou ambientais em 2018 para 442,5 milhões de dólares em junho de 2024. Isso representa um crescimento de 220% nesse período, conforme detalhado em um comunicado sobre o estudo “Radiografia de Investimento de Impacto no Chile”.
Além disso, esses fundos já têm o potencial de chegar a 553 milhões de dólares, considerando o capital comprometido pelos seus investidores.
Em um prazo mais curto, comparado a 2021 —a versão anterior do estudo da Acafi—, os ativos em investimento de impacto aumentaram 13,4%. Isso equivale a cerca de 52 milhões de dólares a mais do que três anos atrás.
Atualmente, os 442,5 milhões de dólares sob administração estão distribuídos em 21 fundos de nove administradoras. Esses recursos financiam um total de 269 projetos que resolvem desafios sociais ou ambientais, com especial ênfase em áreas como economia circular, agricultura e educação.
A visão dos gestores
A análise da Acafi também incluiu uma pesquisa mais ampla enviada às nove AGFs que declararam ter investimentos de impacto, o que lhes permitiu obter informações mais detalhadas do que nos anos anteriores.
Entre os resultados, a entidade gremial destacou a visão dos gestores sobre seus desafios. 100% dos entrevistados identificaram como principal desafio a “dificuldade para atrair investidores“, seguida pela falta de padrões para medir o impacto (44%).
Por outro lado, os dados mostram uma perspectiva positiva para o futuro próximo. Olhando para os próximos três anos, oito das nove administradoras entrevistadas projetam que o investimento de impacto no Chile será maior do que em 2024, e nenhuma delas acredita que será menor.
Em relação aos setores com maior presença neste tipo de investimento, o estudo da Acafi mencionou áreas como economia circular e reciclagem, energias renováveis, educação e setor agrícola.
“Ao longo do tempo, o investimento de impacto continua em expansão, com mais fundos, administradoras e atores se somando ao ecossistema. No entanto, para liberar seu potencial e apoiar um número maior de projetos voltados para o desenvolvimento sustentável, é necessário captar o interesse de novos investidores e avançar na padronização dos critérios de medição que facilitem as comparações. Apenas com maior clareza e confiança será possível atrair mais investimentos e potencializar seu impacto real na sociedade e no meio ambiente”, afirmou María José Montero, diretora da Acafi e presidente do Comitê de Sustentabilidade da entidade, no comunicado de imprensa.