O volume administrado por gestores de patrimônio no Brasil atingiu R$ 498,5 bilhões ao final de 2024, registrando um crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior. A renda fixa foi o destaque do período, avançando 27,6% e ampliando sua participação nas carteiras.
“Apesar dos desafios da conjuntura econômica, tanto local quanto internacional, a indústria se manteve em crescimento, apoiada em uma estratégia de diversificação, com apelo maior para renda fixa”, afirmou Richard Ziliotto, coordenador da Comissão de Gestão de Patrimônio.
A fatia da renda fixa dentro das carteiras dos gestores subiu de 37,9% para 44,4%. Os fundos de renda fixa, FIDCs e títulos públicos responderam por 59% do crescimento do segmento. Os FIDCs tiveram o maior avanço percentual, crescendo 61,8% e encerrando o ano com R$ 27,4 bilhões. As debêntures incentivadas subiram 65,6%, alcançando R$ 14,5 bilhões.
Renda variável cresce, mas perde espaço
Os investimentos em renda variável aumentaram de R$ 156 bilhões para R$ 161,4 bilhões, mas a participação desse segmento nas carteiras recuou de 34,1% para 32,4%. Os fundos de ações subiram 5,7%, totalizando R$ 74,2 bilhões, enquanto os FIPs cresceram 4,9%, chegando a R$ 28,7 bilhões. O volume aplicado diretamente em ações ficou estável em R$ 58,1 bilhões.
Fundos multimercados têm queda de 23,3%
O volume investido em instrumentos híbridos, que incluem fundos multimercados, imobiliários e ETFs, caiu 15,5%, para R$ 97,9 bilhões, representando 19,6% do total. Os fundos multimercados recuaram 23,3%, somando R$ 74 bilhões.
“Os fundos multimercados continuam sofrendo em meio ao cenário de amplos resgates e dificuldade em entregar retornos consistentes”, explicou Ziliotto.
Já os fundos imobiliários cresceram 20,3%, alcançando R$ 19,8 bilhões, enquanto os ETFs avançaram 42,1%, totalizando R$ 4 bilhões.
Expansão regional na gestão de patrimônio
O volume financeiro e o número de clientes cresceram em todas as regiões do Brasil. “Há uma tendência de expansão regional na gestão de patrimônio, tanto de casas tradicionais do Sudeste que estão abrindo escritórios em outras praças quanto de novas instituições”, destacou Ziliotto.
O Sudeste registrou R$ 389,5 bilhões em volume financeiro, alta de 7,6%. No Centro-Oeste, o crescimento foi de 25,9%, totalizando R$ 6,3 bilhões. No Nordeste, o avanço foi de 25%, chegando a R$ 45,5 bilhões. A região Sul teve alta de 3,3%, somando R$ 54,6 bilhões. O Norte apresentou o maior crescimento percentual, com aumento de 59,5%, totalizando R$ 2,5 bilhões.