Com a expectativa de que a rentabilidade da renda fixa se aproxime de seu rendimento corrente durante 2025, a equipe de assessoria da Credicorp Capital continua olhando a dívida com interesse. Em seu relatório para o primeiro trimestre deste ano, a empresa ajustou suas recomendações de carteira, mirando títulos high yield e dívida emergente, particularmente latino-americana.
“Continuamos favorecendo o investimento em renda fixa internacional”, indicou a empresa em seu relatório, acrescentando que estão dando maior ênfase à geração de renda corrente em seu portfólio.
Uma das mudanças de viés está relacionada à dívida de alto rendimento. A Credicorp alterou sua recomendação para os papéis high yield, de neutra para sobreponderação.
Com essa mudança, explicaram, buscam precisamente aumentar a renda corrente, proporcionando estabilidade à carteira. “Nos concentramos na parte curta da curva e em uma gestão ativa para garantir um manejo adequado do risco de crédito, em um contexto de baixas taxas de inadimplência e valorizações de spreads próximas a mínimas históricas, que poderiam se manter assim ao longo do ano”, detalharam.
Nessa linha, a companhia andina manteve seu viés de sobreponderação na dívida emergente, com foco em títulos latino-americanos. “As taxas de investimento atuais são competitivas, respaldadas por fundamentos sólidos, níveis de dívida administráveis e condições de financiamento sustentáveis, o que destaca oportunidades específicas com potencial de valorização”, explicaram.
Outras classes de ativos
De qualquer forma, a Credicorp vê as outras categorias de renda fixa como neutras.
Enquanto antes tinham a visão de sobreponderar títulos corporativos de mercados desenvolvidos, olhando para o primeiro trimestre de 2025, na Credicorp Capital agora recomendam manter uma posição neutra nessa classe de ativos. Para a empresa, essa mudança “se baseia na análise de indicadores-chave que podem apontar para uma pausa na desaceleração inflacionária”, acrescentando que a incerteza ligada às políticas econômicas e comerciais dos EUA adiciona o risco de um repique inflacionário.
No caso dos títulos do Tesouro dos EUA, mantiveram sua posição neutra. Dentro desse segmento, e considerando o atual ciclo de corte de juros e as projeções para este ano, estão priorizando investimentos com vencimentos de curto e médio prazo.
Com relação à renda variável, o posicionamento da Credicorp Capital é neutro em relação aos pesos estruturais. “Dentro da renda variável, continuamos com nossa sobreponderação nos EUA, financiada por uma subponderação em mercados desenvolvidos fora dos EUA”, detalharam.
Isso se deve à “solidez do crescimento econômico dos EUA, aos resultados corporativos robustos e resilientes e à potencial melhora na eficiência impulsionada pela integração da inteligência artificial em múltiplos processos, serviços e linhas de produção”.
No caso dos ativos alternativos, a casa de investimentos andina mantém sua preferência pela dívida privada em relação às demais categorias. “No atual contexto de taxas de juros, o potencial da dívida privada para oferecer retornos superiores aos dos mercados públicos a posiciona como uma opção ideal para reduzir a correlação com os mercados tradicionais e diversificar os portfólios”, indicaram.