A AIS Financial Group nasceu em 2016 como uma boutique suíça de investimentos com o objetivo de oferecer consultoria e soluções personalizadas para os clientes, especialmente para assessores independentes na América Latina, com um foco especial em produtos estruturados. Com o tempo, a empresa ampliou sua oferta de ativos e agora conta com fundos de investimento, securitização e, mais recentemente, uma linha de bônus. O sócio-fundador da empresa, Samir Lakkis, destaca que seu objetivo sempre foi oferecer o melhor serviço e alternativas às soluções dos grandes bancos.
O que os motivou a criar a empresa de corretagem?
Quando começamos em 2016, nossos principais clientes eram assessores independentes na América Latina. Eu vinha de instituições como Commerzbank e Leonteq, que atendiam essa região com produtos estruturados, mas, em alguns casos, deixaram de fazê-lo, resultando em uma oferta limitada. Diante dessa necessidade, percebemos que poderíamos fornecer acesso a grandes bancos e notas estruturadas de qualidade. Crescemos gradualmente e 2021 foi um ano fundamental, pois o setor, como um todo, teve um desempenho muito positivo. Em 2024, demos um novo grande salto, desta vez impulsionado pela estabilidade e maturidade da empresa, com uma baixíssima rotatividade de funcionários. Com o tempo, aprendi que manter um time estável e consolidado é algo raro em uma corretora, e isso nos deu mais segurança como empresa, permitindo-nos crescer em volume.
Quem são seus principais clientes?
Começamos atendendo assessores independentes menores, como o típico banqueiro que trabalhou na Suíça por anos, decidiu se tornar independente e se mudar para a América Latina, gerenciando entre 50 e 300 milhões de dólares. A partir daí, expandimos tanto em tipos de clientes quanto em regiões geográficas atendidas. Passamos a trabalhar com clientes maiores, como multifamily offices, single family offices e bancos locais, além de ampliar nossa presença da América Latina para a Suíça, Oriente Médio, Israel e África do Sul. Recentemente, começamos a atender clientes institucionais, como fundos de pensão. No entanto, nosso core business continua sendo os assessores independentes.
Escolheram Madri como uma das seis sedes da AIS devido à conexão com a América Latina?
Sim. Nossa sede fica em Genebra, mas a filial de Madri cresceu significativamente. Decidimos abrir um escritório em Madri porque, ao contrário de dez anos atrás, a cidade se tornou uma alternativa a Miami para clientes e assessores latino-americanos. Embora muitos ainda tenham ativos na Suíça, os clientes não vão mais até lá para se reunir com seus banqueiros.
Vocês começaram com produtos estruturados, mas expandiram para fundos de investimento e securitização. Como está estruturada a empresa entre esses diferentes produtos?
Os produtos estruturados ainda são o núcleo do nosso negócio. No ano passado, distribuímos mais de 4 bilhões de dólares em produtos estruturados em 30 países. No entanto, percebemos que podíamos oferecer outros produtos aos clientes, o que nos levou a firmar um acordo de distribuição com a Nomura na Argentina, Uruguai e Panamá, facilitando o acesso dos gestores de ativos à América Latina. Além disso, oferecemos securitização de ativos, cuja demanda tem sido significativa.
Pode nos falar um pouco sobre cada um desses pilares?
Cerca de 90% dos produtos que desenvolvemos surgem da demanda dos clientes, que são os assessores e cada um tem sua própria visão de mercado. Nosso trabalho é buscar as melhores condições de acordo com essa perspectiva. Como mencionei, os produtos estruturados continuam sendo nosso core business. No segmento de fundos, temos tido muito sucesso com a Nomura, que se destaca em renda fixa e ações indianas e japonesas.
A securitização é a área onde mais estamos crescendo, pois os investimentos alternativos estão se expandindo. Embora tenham demorado a se popularizar, agora parecem ter vindo para ficar entre nossos clientes de private banking. Nosso papel é fornecer ferramentas para que os assessores possam estruturar seus próprios investimentos alternativos, como licenças de táxi na Colômbia, obras de arte e imóveis. Criamos a estrutura necessária para que, por exemplo, um grupo de dez clientes possa adquirir milhares de licenças de táxi sem precisar comprá-las individualmente. Estruturamos um produto via SPV (Special Purpose Vehicle), que emite um certificado, e esse certificado é utilizado para comprar as licenças de táxi na Colômbia. Em outras palavras, transformamos algo que não pode ser adquirido diretamente por meio de uma conta bancária em um produto que pode ser comprado dessa forma.
Vocês também acabam de lançar uma linha de bônus…
Sim, iniciamos o trading de bônus como uma resposta à demanda dos clientes. Assim como acontece com os produtos estruturados, surgiu como uma maneira de oferecer melhores opções aos nossos clientes.
Quais setores vocês veem como atrativos nos próximos meses?
Após anos de foco excessivo em investimentos de crescimento (growth) e pouca atenção aos investimentos de valor (value), estamos observando uma mudança de foco dos Estados Unidos para a Europa, e esperamos que essa tendência permaneça.
Há diferenças na demanda dos clientes entre países e regiões?
Acredito que a origem do patrimônio influencia bastante esse comportamento. Tanto na América Latina quanto no Oriente Médio, a maioria dos clientes são empresários que construíram sua própria riqueza, em vez de terem herdado ao longo de gerações. Como resultado, estão mais dispostos a assumir riscos, buscando produtos alternativos, cupons mais altos e investimentos mais agressivos. Já na Europa, há uma menor procura por investimentos alternativos e uma maior preferência por renda fixa. Na Espanha, em particular, há uma grande demanda por fundos devido às vantagens fiscais.